INFORMATIVO
RTND® 01

Informativo nº 201 - 23 de Novembro de 2006.
Revistas mais bem feitas podem vencer a internet


Para editor espanhol meio impresso é mais amigável com o leitor do que as telas de computadores e celulares
A crise atual do setor de revistas não vai se resolver com ações de marketing (como a distribuição de brindes, por exemplo), e sim com a melhoria do produto tradicional. Pelo menos esta é a opinião do vice-presidente da Hachette Filipacchi (da Espanha), Juan Caño. "Temos que aprimorar a produção industrial, investindo em melhor papel e impressão. Com isso poderemos enfrentar a internet e o celular, pois a textura da revista é 'amiga' do leitor, é sedosa, e não uma tela fria", afirmou esta manhã, no painel sobre qualidade editorial realizado durante a 3ª Conferência FIPP Ibero-Latino-Americana de Revistas, que termina hoje, em São Paulo.

Para Caño as revistas devem reforçar a idéia de que vale a pena pagar mais por uma publicação de qualidade, até porque o segmento não tem como competir, em termos de preço, com a internet e o celular. "A marca da revista é que vai gerar tráfego na internet, e a principal qualidade da marca é a credibilidade", defendeu o executivo, ao destacar que a força de uma publicação consiste não em ser lida, mas em ser acreditada.

Na Argentina, a Editorial Perfil (que publica, entre outros títulos, a semanal Caras) já está usando a força de suas marcas para atrair internautas para o site Perfil.com. O diferencial é que apenas cerca de 10% do conteúdo impresso é disponibilizado na web - e metade dos títulos nem mesmo está disponível on-line. Grande parte do material do site é exclusivo e inclui vídeos, material de colunistas, últimas notícias, making off de ensaios fotográficos, entre outras opções.

"Trata-se de um novo negócio, que vai gerar muito lucro e não vai matar o anterior", aposta Jorge Fontevecchia, presidente e CEO da Perfil. Por enquanto, ele reconhece que a operação de internet dá prejuízo, mesmo com o incremento do faturamento com publicidade - que já responde por 60% da receita (inclusive no caso do conteúdo para celulares). "Os investimentos em publicidade on-line crescem de maneira geométrica. Não vejo problema de financiamento dos negócios na internet como havia cinco anos atrás", afirmou.

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